A alegria de rever o pai depois de muito tempo na estrada

Todas as histórias apresentadas aqui são reais, foram gravadas ANTES da pandemia e de autoria dos próprios protagonistas.

Nesse dia do vídeo, minha esposa e minha filha mais velha sabiam que eu estava voltando, mas decidiram não contar para a Rafaela, minha filha mais nova, que é quem mais sofre com a saudade. Para mim, é sempre emocionante voltar e ser recebido com tanto carinho. Mas nunca pensei que o vídeo chegaria tão longe e que seria visto por tanta gente. Virou até matéria de jornal. Eu me sinto orgulhoso

O caminhoneiro Noel Silvério Gomes, 42 anos, vive em Paranavaí com a sua esposa Ana Cláudia e as duas filhas do casal, Fabiana e Rafaela. Recentemente, um vídeo da família viralizou na internet e foi parar no jornal local.

Nele, Ana Cláudia, filma a reação da filha menor, Rafaela, com a chegada do pai, que voltava para casa com seu caminhão, depois de um longo tempo viajando. A emoção da pequena, comoveu as redes sociais.

Conversamos com o Noel sobre a profissão de caminhoneiro e a vida na estrada.

Como a profissão surgiu na sua vida?

Meu pai era militar e, por conta de uma fratura no joelho, ele foi aposentado. A partir daí, comprou um caminhão e começou a trabalhar. O meu tio, irmão do meu pai, também tinha um caminhão. Nós éramos crianças e começamos a pegar amor pelo caminhão e foi assim que tudo começou. Então, conheci a minha esposa, que também vinha de uma família de caminhoneiros, meu cunhado e meu sogro, o que me fez gostar ainda mais da profissão. Comecei a trabalhar como caminhoneiro em 1998 e não parei mais.

Você costuma fazer rotas muito distantes de casa?

Eu não tenho uma rota certa. Mas quando vou para o Pará ou Mato Grosso, costumo ficar trinta, quarenta dias. Quando faço a rota do Miritituba (PA), é quando fico mais tempo fora e é também quando a minha filha Rafaela sente mais saudade. Ela é quem mais sofre com a distância.

Qual é o maior desafio na profissão para você?

Nós temos uma carga horária puxada e, em alguns lugares, as estradas não oferecem uma boa estrutura. Além disso, tem os riscos de acidentes e assaltos, fora a saudade da família.

O que a profissão de caminhoneiro tem de melhor?

A profissão também tem muitas coisas boas. A liberdade de poder trabalhar do seu jeito, além da possibilidade de conhecer vários lugares. Outra coisa que me deixa muito orgulhoso é saber que meu trabalho contribui para o reabastecimento do Brasil.

Como amenizar a saudade de casa?

Hoje, graças a Deus, temos os aplicativos de mensagens, chamadas de vídeo… antigamente, algumas vezes era difícil até telefonar, mas com o celular isso ficou muito mais fácil. É claro que não é o mesmo que estar perto, mas as chamadas de vídeo ajudam muito.

Quando retorno para casa, sinto sempre uma alegria e emoção muito fortes e também muita gratidão a Deus, por permitir que eu volte para casa com segurança.

Como é a relação com os colegas de profissão?

Eu trabalho sozinho, mas sempre estou conhecendo outros caminhoneiros no dia a dia da estrada. Quando tem algum problema, sempre podemos contar com alguém para oferecer uma água ou alguma ajuda.

O que representa a profissão de caminhoneiro para você?

Apesar dos desafios, eu me sinto orgulhoso de saber que estamos fazendo um trabalho importante de reabastecimento para o país. Sem o caminhoneiro, o Brasil para.

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