Uma dupla em Dourados. Lascados e empoeirados

Todas as histórias apresentadas aqui são reais, foram gravadas ANTES da pandemia e de autoria dos próprios protagonistas.

Minha esposa Suellen, assim como eu, trabalha fora. Temos duas filhas, a Marla e a Yaxodara. Com a pandemia e a suspensão das aulas, a minha filha mais nova, Yaxodara, veio viajar comigo. Assim, ela não ficaria sozinha e eu teria uma parceira de viagem. Sempre foi o nosso costume viajar juntos, então minha esposa e minhas filhas são acostumadas à vida na estrada e gostam bastante.

A gente costuma todos os dias ter a mesma rotina. Como temos geladeira no caminhão, levamos tudo em porções porque fica mais fácil para fazer. Além disso, comer em restaurantes muitas vezes sai caro e nem sempre tem qualidade. Dessa vez, eu tinha comprado um pedação grande de cupim. Como sempre colocamos em porções na geladeirinha, eu cortei em bife. Nunca tinha feito assim, mas resolvi experimentar.

Chegamos em Dourados (MS) e no outro dia fomos fazer almoço. Foi só a gente começar a mexer com as panelas, parece que chamou a poeira. Mas, fazer o quê? A gente já tinha começado a cozinhar. Então eu disse: “Filha, vamos fazer o bife”. Quando a gente foi comer, pensa em um trem duro. Minha filha nem conseguiu cortar. Eu tive que cortar bem fininho para ela. E dessa dificuldade ela falou: “Vou fazer um vídeo”! E a gente fez no improviso…

Adriano Maik Policeno é um pai orgulhoso e também um apaixonado pela profissão de caminhoneiro. Não é raro ele viajar com sua esposa e filhas no caminhão que tem espaço suficiente para o conforto da família. Muitos desses momentos foram registrados pela Yaxodara, filha mais nova de Adriano, que desde os quatro anos de idade já tinha o costume de fazer seus próprios vídeos.

Porém, essa história começou com muitos desafios e dificuldades, exigindo que Adriano tivesse muita coragem para seguir adiante e realizar o sonho de ter a profissão que sempre quis.

Como a profissão de caminhoneiro surgiu na sua vida?

Meu pai, hoje falecido, também era caminhoneiro. Assim como as minhas filhas, eu gostava de viajar de caminhão com ele nas minhas férias. Quando eu era adolescente, meus pais se separaram. Meu pai comprou um caminhão para ele e saiu viajar. Não teve sorte. Foi para Belém do Pará e tombou. Ficou na Polícia Federal três meses. Eu já estava na sétima série.

Um dia, fiz a minha mochila e fui para a beira da BR, peguei carona com um caminhoneiro até Sobral e de Sobral fui até Belém. Encontrei meu pai no município de Moju (PA). Ficamos por três meses lá montando o caminhão. A partir dali fiquei com ele. Sofremos bastante, às veze sem saber o que tinha para comer no dia seguinte. Eu acho que Deus mandava as coisas na hora certa. Volta e meia alguém ajudava a gente. Por cinco anos andamos juntos para cima e para baixo nesse mundão.

Depois, quando eu mesmo já dirigia um caminhão, conheci a minha esposa em uma viagem para a Bahia. A minha filha mais velha já tinha três anos e me encantei pelas duas. Fiz a proposta para que ela viesse comigo e ela aceitou.

Como é a rotina da sua família hoje em dia?

Hoje vivemos em Abelardo Luz (SC), terra do meu pai. Decidimos ficar aqui perto dos parentes porque era mais fácil para ter um emprego fixo e para criar uma família.
Minha filha mais velha hoje está com 17 anos e já está trabalhando, mas até o ano passado, em todas as férias, elas viajavam comigo. A minha esposa e minhas filhas gostam da estrada, não têm frescura. Às vezes passamos dias, semanas no caminhão. Hoje, como a Suellen e a Marla trabalham, as viagens em família acontecem só nas férias de final de ano.

O que você acha que essa vivência na estrada trouxe para a sua família?

Quando eu viajava com o meu pai, ele sempre conversava comigo, era muito amigo. Ele me falava algo que transmito para as minhas filhas hoje. A nossa vida é sofrida mas tudo é feito com muito carinho. É bom aprender a valorizar as coisas que conquistamos.

Assim como o meu pai me ensinou, se um dia as minhas filhas não se encaixarem em algum outro tipo de trabalho e quiserem investir na estrada, é com muito carinho que vou passar tudo o que sei. Elas têm meu total apoio.

Você pensa em mudar de profissão algum dia?

Talvez quando a idade pesar mesmo. Mas, até lá, espero ter o meu próprio caminhão e por meio dele proporcionar estudo e formação para as minhas filhas. Esse é o meu sonho e eu espero conseguir realizar.

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